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Fotografar o CÓD12 em frente ao mercado modelo fora mais um presente ao qual me deram, ao qual me dei. Saber dizer sim também tem dessas coisas. Amarrei as meninas com um barbante e o máximo de cuidado para não feri-las e não deixar o barbante frouxo. Uma teia foi-se formando e fui percebendo que existiam várias formas de ir enrolando o barbante naqueles corpos femininos. Uma sensação de sufocamento me veio quando enrolava-lhes os pescoços. O rosto fora o mais delicado.
De costas uma para a outra e de mãos dadas, senti o quão unidas estavam elas duas. Senti uma cumplicidade na dor, na prisão, no desconforto. E as pessoas começaram a passar e a questionar, comentar, observar e indagar: o que era aquilo ? era um protesto ? uma pegadinha do Sílvio Santos ? Algumas muitas pessoas paravam para fotografar. Homens e mulheres.
Algumas mulheres me vendo fotografar a performance, vinham me perguntar sobre o tema e eu respondia com outra pergunta: o que você está vendo, sentindo ? Ouvir das mulheres pensamentos sobre liberdade, prisão, desconforto, atualidade, sociedade fora inspirador e arrepiador como uma simples ação poderia gerar no interior delas tantas sensações até que duas jovens viram que havia uma caixa e que dentro dela haviam 2 tesouras. Então, começaram a cortar os barbantes e era como se ao mesmo tempo que elas libertavam as meninas, elas se libertavam, elas agiam perante a situação. Fora libertador em muitos sentidos.
por Nilson Rocha (fotógrafo de Nozes)





